Quando a estética se sobrepõe à saúde: os riscos da busca pela magreza extrema
- Rogéria Taragano

- 28 de mai.
- 2 min de leitura
No último sábado (23/05), tive a oportunidade de contribuir para uma importante matéria do jornal O Estado de S. Paulo sobre os impactos da busca pela magreza extrema e o crescimento da pressão estética impulsionada pelas redes sociais e pelos padrões corporais cada vez mais rígidos.
A reportagem trouxe uma reflexão necessária sobre um fenômeno que tem se intensificado nos últimos anos: a valorização de corpos extremamente magros como símbolo de sucesso, controle, beleza e aceitação social, mesmo quando isso acontece às custas da saúde física e emocional.
Quando o emagrecimento deixa de estar relacionado ao cuidado e passa a funcionar como uma tentativa de adequação social, é importante acender um alerta.
Em muitos casos, a relação com o corpo deixa de ser saudável e passa a ser atravessada por sofrimento psíquico, ansiedade, perfeccionismo, comparação constante e sensação de inadequação.
Na matéria, pude comentar sobre como essa pressão estética frequentemente impacta a autoestima e modifica a forma como muitas pessoas percebem o próprio valor. Afinal, quando o corpo passa a ocupar um lugar central na construção da identidade, qualquer mudança física pode gerar angústia, culpa ou sensação de fracasso.
Além dos impactos emocionais, a busca pela magreza extrema pode trazer consequências importantes para o organismo: perda de massa muscular, alterações hormonais, desnutrição, osteoporose, ansiedade, depressão e transtornos alimentares.
Outro ponto que merece atenção é o ambiente digital. Hoje, convivemos diariamente com filtros, edições, imagens manipuladas e algoritmos que reforçam padrões muitas vezes inalcançáveis. Isso cria uma sensação constante de comparação e insuficiência.

Mais do que discutir estética, precisamos discutir saúde mental, pertencimento e qualidade de vida.
Cuidar do corpo não deveria significar entrar em guerra com ele.
Que possamos construir relações mais gentis com a comida, com o espelho e com nós mesmos, reconhecendo que saúde não pode ser reduzida a um padrão corporal.
E que conversas como essa continuem encontrando espaço dentro e fora dos consultórios.




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